Viola de Cocho

 

        Instrumento típico do Estado de Mato Grosso‚ a viola de cocho foi reconhecida como patrimônio cultural nacional‚ registrada no livro dos saberes do patrimônio imaterial brasileiro em dezembro de 2004.

        Esse instrumento é confeccionado a partir de um bloco de madeira inteiriça ( sarã de leite‚ ximbuva‚ jacota etc.)‚ sobre o qual o fabricante utilizando um molde‚ risca o formato de viola e posteriormente vai esculpindo o contorno. Leva o nome de viola de cocho porque a sua produção é feita semelhante ao cocho que é usado para colocar alimentos aos animais nas propriedades rurais.

        A viola-de-cocho é um instrumento musical do grupo dos alaúdes curtos‚ produzida por mestres artesãos‚ violeiros e cururueiros. Acompanhada pelo ganzá e o mocho‚ é tocada nas rodas de cururu e siriri‚ em homenagem aos santos católicos ou por simples divertimento.

        A produção da viola-de-cocho é uma atividade que guarda conhecimentos específicos dominados por esses artesãos. Após a escolha da madeira‚ corta-se o tronco em duas partes planas.
        Com um molde risca-se a madeira na qual será escavada a caixa de ressonância. Uma vez entalhado o corpo do instrumento‚ é colado o tampo e‚ em seguida‚ são afixados o cavalete‚ o espelho‚ as cravelhas e o rastilho para que‚ então‚ sejam colocados os trastes e as cordas.

        Com forma e sonoridade singulares‚ a viola-de-cocho possui sempre cinco ordens de cordas‚ denominadas prima‚ contra‚ corda do meio‚ canotio e resposta. São afinadas de dois modos distintos‚ canotio solto e canotio preso: de baixo para cima‚ ré‚ lá‚ mi‚ ré‚ sol; e ré‚ lá‚ mi‚ dó‚ sol.

 

        Ganzá ou cracachá: Instrumento parceiro da Viola de Cocho para musicalizar a dança do Siriri e o Cururu. Consiste de um instrumento de bambu (bambusa vulgris ou o tipo que existir ao alcance) para percussão que mede mais ou menos de 40 a 70 cm de comprimento‚ tendo em cada extremidade um nó do próprio bambu. É todo trabalhado‚ tendo ranhuras no sentido transversal ao comprimento. As ranhuras são friccionadas por uma baqueta‚ pedaço de pau‚ garfo ou até mesmo pedaço de osso de costela de boi.

        O bambu sofre também de 3 a 4 rachaduras no sentido longitudinal dependendo do diâmetro deste‚ isto para que o som não se torne abafado.

O ganzá é de semelhança ao reco-reco e seu ritmo depende da música local.

 

        Mocho‚ tamborete e tamboril: É uma espécie de banco de madeira e no assento é pregado um couro cru de gado, veado ou de cotia. É percutido com duas baquetas no assento de couro‚ poder ser percutido por duas pessoas ao mesmo tempo.

        O mocho é percutido pelas baquetas de madeira seca sem pluma‚ as matracas‚ dependendo da música executada é usada no siriri e não tem utilidade no cururu.

        Na falta do mocho usa-se a bruaca (saco ou mala de couro) ou mesmo couro inteiro de boi enrolado‚ no qual é percutido com dois pedaços de madeira ou ainda um caixote ou caixa de madeira pode ser usado como um mocho.

 

        Baquetas: São também conhecidas por “pauzinhos”‚ no ritmo do siriri golpeia-se o mocho.

O ritmo deve ser produzido de acordo com a música que está sendo executada.